




Assim como acontece com todos os Profetas, Filósofos, Divindades, Reis e Fenômenos da humanidade, é difícil precisar a data ou o momento exato em que surge um determinado movimento artístico-cultural ou contra-cultural se lhes perece melhor. Mais dias, menos dias, ele mostra sua cara ao mundo e rompe com todas as leis e paradoxos puritanos. A raiz do hard-rock está diretamente envolvida com o próprio desenvolvimento do rock em sua vertente mais rebelde, suja e transgressora - dos riffs blueseiros turbinados de Chuck Berry à insanidade dos gritos de Little Richard e a energia da performance de Jerry Lee Lewis, que segundo a lenda uniu-se a mão branca do rock’n roll com a mão negra do blues (Lewis fugia de casa para ir aos clubes freqüentados por bluesmans, e ficava olhando pela janela, sendo várias vezes convidadas para tocar a quatro mãos com a galera do blues, daí a união das mãos brancas e negras). Nos anos 60 o som que duelava na preferência da juventude britânica, os rapazes comportados, os Beatles era mergulhado no underground da lama do blues americano – Rolling Stones, Yardbirds, Animals, Kinks e The Who. Estes foram os precursores do hard que se desenvolveu a partir da segunda metade dos anos 60. Seu som era bem mais agressivo, ousado e chocante do que o som da maioria das bandas que embarcaram na Beatlemania... A fórmula era basicamente a mesma – injetar anfetamina no blues e rhytm n’ blues, acelerá-lo, distorcê-lo, estrangulá-lo, jogar quilos de microfonia e gritos deixando meninos e meninas estarrecidos e pais pra lá de preocupados... Nessa efervescência, acredito que o maior destaque foram os Yardbirds. Em princípio, foi um dos maiores expoentes da geração dos puristas do blues, quando ainda contavam com Eric Clapton; depois, com Jeff Beck e Jimmy Page, começaram a expandir as fronteiras, inserindo peso e psicodelia naquela massa sonora. Além de tudo, foi o berço de três dos guitarristas mais influentes da história de todo o rock. Em 1966, surge um grande divisor de águas nessa história com a união de três músicos já tarimbados do cenário inglês – o Cream. Amplificando todas as fórmulas da moçada mais ousada da Inglaterra daqueles tempos, o Cream uniu virtuosismo, senso improvisador e liberdade de criação num caldeirão que deixou todo mundo bem chapado naqueles tempos. Aceso o pavil, explodiu outro fenômeno – um guitarrista norte-americano canhoto, autodidata e bem doidão veio para a Inglaterra apadrinhado e formou a Jimi Hendrix Experience. Daí a coisa estourou mesmo – o som daqueles dias era ácido, pesado, experimental, virtuoso, inovador... Estava nascendo o hard-rock, um som calcado no blues, porém antropofagicamente transformado pela criatividade daquela geração que utilizou toda a tecnologia que se desenvolvia na época para fazer o som de suas bandas chegarem mais longe. Nos EUA, eclodia também o movimento flower-power e o som psicodélico. Não parecia haver fronteiras para as combinações entre o novo som e o velho blues – quase todo mundo embarcou nessa viagem e quem não embarcou, ficou no limo da história. A partir daí, entre 1967 e 1968, surgiram o Blue Cheer, (que levou a psicodelia aos extremos com sua estréia Vincepbus Eruptum), o Steppenwolf (com o hino do hard, Born to be Wild) o Ten Years After (e o prodigioso guitarrista Alvin Lee), Taste (de Rory Gallagher), Canned Heat (que tiveram como professores nada mais nada menos que John Lee Hooker e Memphis Slim), Savoy Brown, Jeff Beck Group, MC5, Stooges (ampliando o som psicodélico das garagens norte-americanas) e vários outros nomes que foram cruzando a psicodelia e a inovação com o blues, tanto na sonoridade quanto nos temas. A partir de 1969, pode se dizer que o estilo já estava consolidado, com diversos trabalhos de muito peso das citadas bandas e de outras como o Mountain de Leslie West, James Gang, Grand Funk Railroad, Edgar Broughton Band, Writing on the Wall, Groundhogs, Free, Cactus e muito etc. por aí. O que fazia a cabeça da moçada na virada dos anos 60 para os 70 era o som pesado – e toda a situação do momento favorecia isso: Guerra do Vietnã, as manifestações estudantis, os golpes militares na América Latina, o assassinato de Martin Luther King, etc. O som parecia ser o pano de fundo para o todo aquele contexto conturbado, acrescido da desilusão com o ideal hippie e a alienação pelo uso de drogas. Com o advento dos anos 70, a coisa ficou progressivamente mais pesada, agregando novas influências – Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple foram os grandes marcos do som da nova década e influenciaram uma gama imensa de jovens por todo o mundo. O nascente rock progressivo também foi influente numa fusão entre o som pesado e as novas sonoridades, coisa que aconteceu muito forte na Europa. Ao prosseguir da década, dezenas e dezenas de bandas surgiram e sumiram com velocidade de foguete no cenário art rock, nos mais diversos países no mundo. O underground engoliu muitos jovens talentos que não tiveram a manha de lidar com o mainstream e nem tiveram um pingo de sorte com gravadoras e empresários. Por conta disso, bandas fantásticas e extremamente promissoras que ficaram somente na estréia. A industrialização da música (e do rock conseqüentemente) avançou, capitalizando todo o movimento e direcionando-o por caminhos mais previsíveis no decorrer da década, especialmente visando competir com o punk-rock e a disco music, movimentos que deixaram o hard bem menor em termos de popularidade. Claro que houve muitas honrosas bandas que não se deixaram levar pelos apelos escandalosos do mercado e mantiveram firmes seus princípios, se baseando no blues ou mesmo na busca de novos caminhos, caminhos esses que foram levando o hard até o heavy-metal, com a chamada “New Wave of British Heavy Metal”. Mas aí chegamos aos anos 80, então é melhor ficar e parar por aqui hehehe.









Contemple seus sonhos do passado. Tenha uma visão de seus sonhos no futuro. Na vida tudo é passageiro, menos os pensamentos. Eles criam asas e voam no infinito de nossas mentes e estão sempre em conflito com o real e o surreal. Você não pode definir em qual dimensão seu espírito está e nem em que encarnação. Tudo é apenas o infinito do teu coração que vê as coisas com amor ou sentimento e com profunda violência ou pobreza. Sem saber o que é real só se tem noção de uma coisa, todos nos fazemos parte desse mapa astral vagando sem rumo no cosmo, como estrelas em combustão que um dia se apagam, mas deixam seu DNA no universo a propagar...



























